Uma pimenta africana, colonizadores portugueses e um frango grelhado: dessa mistura nasceu o peri-peri, o molho que virou febre mundial pelas mãos de uma certa rede sul-africana — e que em casa fica ainda melhor.
A pimenta
Peri-peri (ou piri-piri, “pimenta-pimenta” em suaíli) é a African bird’s eye — pequena, vermelha e valente, parente direta da nossa malagueta (mesma espécie, C. frutescens — já comparamos as duas em detalhe no malagueta vs piri-piri). Ardor alto e limpo, perfume frutado. No Brasil, malagueta é a substituta natural e historicamente legítima.
O molho peri-peri caseiro
- 8 a 10 malaguetas vermelhas (ajuste à coragem)
- 1 pimentão vermelho assado (corpo e doçura — o segredo da textura do molho comercial)
- 4 dentes de alho, 1/2 cebola
- Suco de 1 limão + raspas, 60 ml de vinagre de vinho tinto
- 1 colher (chá) de páprica, 1 de orégano, 1/2 de sal, 80 ml de azeite
Processe tudo (menos o azeite), depois emulsione com o azeite em fio. Cozinhe 10 minutos em fogo baixo pra casar. Rende ~400 ml; geladeira por 3 semanas.
O frango (o ritual completo)
1. Espatele o frango (corte pelo dorso e abra como um livro) — grelha por igual.
2. Marine em metade do molho por 4-24 horas.
3. Grelhe com pele pra baixo primeiro, em brasa média, virando poucas vezes, pincelando com molho fresco (nunca o da marinada crua) nos minutos finais.
4. Sirva com o molho restante, batata e coragem.
Além do frango
Camarão salteado, polvo grelhado, bife de tiras, e misturado à maionese vira o dip das fritas. O molho é versátil — o frango é só a porta de entrada.

